O começo
Antes do fim, era tudo ruim, mas após o fim, o ruim se tornou um bom que não voltaria. Pode parecer confuso a citação acima, porém me prestarei a explicar com um acontecimento.
Já era tarde
da noite, caminhava pelo meio da rua, pois amava ver a luzes dos postes, sempre
contínuas, que pareciam intermináveis. Ouvi assim um bater de asas, que cessou ao
esconder-se na sombra dos telhados que se sobrepunhavam-se aos montes. Avistei dentro da escuridão olhos vermelhos e vendados que me observavam fixamente. Então busquei uma parte alta da
calçada da rua vazia e sentei acendendo um cigarro. Ouvi assim as asas baterem e
logo ele estava sentado ao meu lado, dizendo:
- Noites assim acalanta seu coração, acredito
eu.
Respondi
em seguida:
- Há algum tempo atrás, talvez, mas nos dias de hoje, não se tem mais o mesmo prazer de outrora.
Com sorriso que mostravam presas ao invés de dentes comuns, o profano disse-me:
- Como assim? Não eram vocês humanos que
tanto reclamavam de outros tempos e diziam que tempos antes do tempo, eram melhores
que o tempo que se estendia?
- Sabe? A natureza humana é o descontentamento, nunca se satisfazem no que existe, ou no que se tem, mas ao perder o que não se percebe, faz falta. Nos fazendo sentir pelo o que se
perdeu, sem ter o prazer do proveito.
- E
assim buscam formas, de culpar o tempo, os outros humanos e até mesmo a mim.
Dizem até mesmo que o amor acabou, mas, como se acaba aquilo que nunca se
existiu? Vocês matam-se desde os primórdios e dizem que não existe mais amor.
Completou a conversa sorrindo e zombando. Assenti com a cabeça e me pronunciei
sobre o que pensava:
- O que se esperar de seres, onde orgulham-se do ódio. Que preferem esboçar seus defeitos como troféus?
Sorri e continuei:
- Não reclamo do que se passou, não reclamo do que tenho e agora vendo um demônio de perto, sabe-se lá se reclamarei do que virá. Mas, acho que nós sabemos qual fim disso tudo, a destruição da humanidade é eminente. Pena que aos que estiverem à beira de tal colapso, culparão a todos, talvez a você, mas nunca verão os verdadeiros culpados.
Ouvir o bater de asas e logo ninguém estava ao meu lado, apenas
acendi outro cigarro e voltei a caminhar rumo ao começo do fim.
MELISSA


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